A Fênix de Fabergé

12/06/2017

Resenha por Diane Bergher

Gosto de escrever minhas resenhas logo após ler os últimos capítulos da obra, por ainda estar envolvida pela mágica do enredo. Não podia ter sido diferente com A Fênix de Fabergé! Alucinada é a palavra para me descrever neste momento. Um romance intenso, envolvente, um verdadeiro conto de fadas são as palavras corretas, atrevo-me a dizer, para descrever o romance de Sue Hecker e Cassandra Gia.

"- Confie em mim quando digo que nunca quis te magoar, Kenya! E que, mais do que com qualquer outra pessoa, você foi para quem mais me despi da minha costumeira armadura e mostrei a mim mesmo."

 (por Aleksei)

Aleksei, o protagonista do romance, a todo momento me fazia lembrar a Fera da Bela e a Fera. Tão doce, carinhoso, mas ao mesmo tempo atormentado por um passado de perdas e opressões, uma alma que se reinventou à medida que as dificuldades foram sido vencidas. Um personagem que foge do estereótipo a que estamos acostumadas a ler nos livros do gênero erótico, mas que mesmo assim nos fascina e nos envolve à medida que mergulhamos no enredo e descobrimos mais sobre sua história. Sim, Aleksei, o empresário de circo, o trapezista, o palhaço, o motoqueiro do Globo da Morte arrebatou meu coração e me fez suspirar por ele.

"(...) - gostaria que você entendesse que, ao querer se vingar, a qualquer preço, doa a quem doer, fazendo um inocente pagar, o tornará igual a ele entende? Você sequer considerou como tenho vivido todos estes anos! Consegue imaginar o que foi não poder ter o direito de ir ou vir ou mesmo ter gozado da oportunidade de estudar? Consegue, Aleksei? - digo-lhe com as lágrimas a rolarem."

(por Kenya)

Kenya, por sua vez, nossa mocinha doce e meiga, foi a grande surpresa do livro. Misturando a personalidade de várias princesas de contos de fadas, Sue e Cassandra tiveram a maestria de compor uma personagem feminina rica em detalhes, dosando com equilíbrio a suavidade e a força do feminino. Kenya é delicada e romântica, mas extremamente forte, determinada e realista dos fatos que a rodeiam. O amor incondicional por um pai que a maltrata, de início, até pode nos provocar raiva, porém, à medida que o enredo avança, percebemos que de fato o amor de Kenya pelo pai era puro e benevolente, em razão de sua alma pura, imaculada de juízos e preconceitos, tanto é que ela jamais se deixa impressionar pelas cicatrizes de Aleksei, que o fazem defeituoso para o conceito mediano de beleza, aquele que só enxerga o exterior.

Para arrebatar de vez meu coração, o romance é ambientado no Brasil. Como escritora que sou, valorizo nossa rica cultura universal e digo universal, por termos várias etnias que para aqui vieram e colaboraram para a construção da identidade cultural brasileira.

Uma história de amor tão linda, atrevo-me a dizer uma versão moderna e erótica de A Bela e a Fera, com alguns componentes trazidos de Cinderela, só podia ter o Circo como pano de fundo. O Circo há séculos nos atrai, nos fascina, nos emociona e nos envolve. É neste mundo de magia que A Fênix de Fabergé morre, renasce e encontra o seu feliz para sempre e nós, respeitável público, ovacionamos de pé!