A Irmandade Perdida

09/09/2017

Resenha por Diane Bergher

A Irmandade Perdida foi minha grande surpresa do ano. É o primeiro livro que li da renomada Anne Fortier, autora também de Julieta. Como amante da História, eu sou alucinada por enredos que mesclam fatos históricos, mas no caso deste livro, ele vai além, ele consegue nos envolver em lendas e mistérios, nos levando em uma viagem pela Grécia Antiga e numa redescoberta do mito das Amazonas e da Guerra de Tróia.

Diana Morgan é uma professora renomada na importante Universidade de Oxford. Especialista na Grécia Antiga, tem verdadeira obsessão pelas amazonas, paixão que foi alimentada pela sua avó paterna desde criança. O sonho de Diana é provar que as amazonas existiram de verdade, motivo que a levou a se tornar uma piada no meio acadêmico.

Sua vida de marasmo acaba por mudar quando recebe uma proposta de trabalho inusitada. Uma Fundação misteriosa a queria para desvendar inscrições em um sítio arqueológico no Norte da África. Lá, Diana conhece Nick Barrán, um homem tão ou mais misterioso que a Fundação que a contratou.

Com a ajuda de um caderno antigo deixado pela avó, Diana começa a decifrar as inscrições registradas no templo e chega ao nome de Mirina, a suposta primeira rainha das Amazonas. É justamente nesse ponto que as histórias de Mirina e Diana vão se interligar e de uma forma incrível, a autora vai nos levar a viajar por terras distantes e tempos remotos. Utilizando-se de um enredo diferente e de um recurso pouco usado pelos escritores, Anne Fortier intercala as narrativas em primeira e terceira pessoa, deixando-nos totalmente enlouquecidos por mais, onde não sabemos mais o certo qual das histórias que queremos desvendar: se a de Diana ou se a de Mirina. Cabe mencionar que não é um livro de viagem no tempo! À medida que Diana descobre mais sobre as amazonas e mesmo sobre a verdadeira origem de sua avó, mais descobrimos sobre a história de Mirina. 

A autora também foi perfeita ao descrever a importância do papel da mulher na Antiguidade, fazendo um paralelo com a mulher atual. Com muita propriedade, levanta temas delicados em relação ao "feminino", sem soar revolucionária demais ou mesmo vazia. Nesse sentido, há trechos maravilhosos que merecem ser transcritos para deixar um gostinho de quero mais:

"Inúteis são agricultores que não plantam e pastores que não pastoreiam. Lembre-se que você é uma irmã. Uma irmã não precisa de olhos para ser útil, só de um sorriso e de um coração valoroso."

"Shh! Os pais vão e vêm, mas a Terra permanece a mesma. Assim como não existe meio coração, não existe meia-irmã."

Se você gosta de romance, mistérios, enigmas, aventura, conhecer novas culturas e lendas, não deixe de conferir A Irmandade Perdida. A leitura valerá a pena, com certeza!