Amanda Maia

13/09/2017

O Chá das Seis teve o imenso prazer de entrevistar mais um jovem talento da literatura nacional contemporânea.

Amanda Maia é a autora do sucesso Our Fall, de Pandemônio e da Série The Reckless. Uma menina sonhadora, determinada e cheia de energia, cuja escrita faz parte de sua vida desde sempre e para sempre.

Delicie-se com o bate papo com a Amanda! Ela é uma fofa!

Chá das Seis: Conte-nos sobre a Amanda e o que a levou a se tornar uma escritora.

Amanda Maia: A Amanda é com certeza uma mulher sonhadora e bastante determinada. É uma pessoa decidida, ativa e cheia de energia. E ser Amanda é sinônimo de ser teimosa. Digo, a minha teimosia em persistir em meus sonhos é minha melhor qualidade. A escrita sempre fez parte da pessoa que sou. Esteve no meu passado, está no meu presente e provavelmente estará no meu futuro, por que o que me levou a me tornar escritora, também me faz querer insistir no sonho. Tudo começou quando eu tinha doze anos e precisava fugir um pouco da realidade que eu precisava e preciso sustentar. A escrita é a válvula de escape e acho que esse é um detalhe em comum, em muitos autores.

Chá das Seis: Qual é a sua maior inspiração na hora de escrever? Tem alguma mania ou um ritual antes de começar a escrever?

Amanda Maia: Eu leio muito e procuro ler temas relacionados aos que estou escrevendo no momento. A escrita flui melhor. Acho que o ritual que sigo antes de escrever é sempre escutar músicas, ver videoclipes ou pesquisar fotos na internet de lugares, nomes e frases que também ajudam. A mente do escritor vive em sintonia; a realidade e a ficção em uma balança. Pelo menos para mim, sempre que estou fazendo algo que não seja escrevendo, estou prestando atenção nos pequenos detalhes, por que sei que eles vão influenciar na inspiração mais tarde.

Chá das Seis: De onde surge as ideias para a composição dos personagens e escolha dos avatares para dar rosto à eles?Se você pudesse ser um de seus personagens quem deles seria?

Amanda Maia: Para ser sincera eu não fico pensando muito nos "avatares". Crio minhas personagens baseado na personalidade de cada um. Mackenzie, por exemplo, imaginava uma garota de lábios perfeitos, um rosto arredondado, cabelos castanhos e olhos claros tão intensos que poderiam ser confundidos com seus sentimentos. Ela é representada por Liana Liberato, mas não é um mantra que precisa ser seguido. Cada leitor pode imaginar minhas personagens da maneira que lhes for mais cabível. A princípio Bryan tinha olhos claros, por que estava seguindo a risca um modelo que vi em uma conversa do grupo no WhatsApp. Resolvi mudá-lo por que percebi que não estava sendo "Bryan McCoy", o meu Bryan McCoy.

Chá das Seis: Você sempre está conversando com seus personagens. Como é sua relação com eles, e o que costumam sussurrar ao seu ouvido?

Amanda Maia: Estou sim. Sempre começo no controle da situação e de repente eles estão tomando às rédeas e escrevendo por si só suas histórias. Gosto dessa relação mente aberta para ouvir o que costumam dizer e deixar que simplesmente flua, como deve ser.

Chá das Seis: Seus livros são todos ambientados fora do Brasil. Pretende escrever algum ambientado no país de origem? O que nos tem a dizer sobre o mercado literário brasileiro?

Amanda Maia: Minha influência na leitura sempre foi à literatura estrangeira; li muitos romances ambientados em países diferentes, mas nunca, de fato, no Brasil. Nunca pensei em escrever um livro ambientado no Brasil, mas não digo que nunca farei isso. O mundo dá voltas e estamos em construção, amadurecendo dia-após-dia, pode ser que daqui um tempo eu prefira escrever livros com personagens que sejam brasileiros e que morem aqui. Olha, o mercado literário brasileiro tem crescido muito, e li muito também sobre haver uma influência muito grande da literatura estrangeira. Os brasileiros, muitos deles, na verdade, não tinham o hábito da leitura, mas sei que isso acontece por que muitos ainda não encontraram o livro certo. Embora tenhamos crescido na literatura, ainda precisamos amadurecer na cultura e dar mais chances aos livros naturais do Brasil. Já teve tempo em que se um livro tivesse sido escrito por um autor brasileiro, o leitor descartava a possibilidade de sequer ler a sinopse. Conheci pessoas que fizeram isso e sei que o preconceito diminuiu, mas ainda existe. Não só o Brasil, mas o mundo precisa enxergar nós autores como trabalhadores, e não pessoas que se "acomodaram". A profissão de autor é uma das mais difíceis que já vivi, escutei tanto "escrever não é trabalho", "você precisa encontrar algo que te dê dinheiro de verdade", isso me faz ficar tão cabisbaixa e desvalorizada, como se meu trabalho de noites e dias incansáveis não valesse um único centavo. CARA ABRE ESSA TUA MENTE! COMO ASSIM NÃO É TRABALHO? COMO ASSIM "ISSO" NÃO DÁ DINHEIRO? O CHÃO É DURO, MAS NÃO É IMPENETRÁVEL. Demora um pouco, mas podemos alcançar. Os autores precisam ser vistos pela sociedade como empreendedores e batalhadores, tanto quanto um micro empresário. Vocês PRECISAM abrir essa mente fechada e, convenhamos, cafona e estúpida.

Chá das Seis: Conte-nos um pouco sobre a sensação de autografar seu primeiro livro físico.

Amanda Maia: Irreal. Quando segurei OurFall nas mãos foi como se estivesse segurando metade do meu coração e a alegria que senti pela realização foi inenarrável. O livro que eu segurei foi fruto de um trabalho árduo e cansativo, noites intermináveis sem dormir direito; dormindo tarde demais e acordando ainda mais cedo. Mas depois foi como se tudo aquilo finalmente fizesse algum sentido.

Chá das Seis: O que podemos esperar de seu mais novo projeto "Garotas malvadas não choram"?

Amanda Maia: Garotas malvadas não choram surgiu no momento mais inapropriado possível - assim como todos os meus outros livros - ele vai contar a história de garotas que, tinham encontrado a felicidade plena ao lado de alguém, mas preferiram caminhar sozinhas, pois a "felicidade plena" só pode ser encontrada quando você está feliz consigo mesmo. E um breve spoiler sobre este projeto: uma trilogia nomeada "GAROTAS" sendo os seguintes volumes: Garotas malvadas não choram (1), Onde as boas garotas terminam (2), Não acredite nas boas garotas (3).

Chá das Seis: A respeito da Série The Reckless. O que podemos esperar?

Amanda Maia: Esta série sem sombra de dúvidas me trouxe uma perspectiva de vida muito diferente e com certeza, muito bacana. Quando comecei a escrever senti vontade de mudar meu gosto musical, minhas roupas, meu cabelo e a comodidade que estava acostumada a vivenciar. Cheguei a dizer uma vez que The Reckless é uma lenda, um estilo de vida. O livro tem um propósito: trabalhar em cima dos erros e saber, principalmente, engolir o orgulho para dar o perdão. O perdão, afinal, não é para fazer bem ao outro, mas a si mesmo. Os leitores podem esperar muitas coisas de The Reckless; não é um conto de fadas, então coisas ruins poderão acontecer, mas é uma lição de vida.

Chá das Seis: O desfecho de Our Fall foi de tirar o fôlego com a descoberta de um segredo sobre nosso querido professor James Ridley. O que podemos esperar de After The Fall, o segundo livro da duologia?

Amanda Maia: After The Fall é o livro em que eles finalmente conseguem se encontrar como pessoas e finalmente como um casal. James e Quinn, apesar da intensidade dos sentimentos no primeiro livro, ainda não se viam inteiramente como um casal. Tinham coisas demais para resolver com seus espíritos e não podiam se doar um ao outro inteiramente, mas no segundo volume eles estão interligados por um amor bem mais forte do que sentiam um pelo outro; o amor que os pais sentem pelos filhos. O amor foi tão forte que, transbordou.

Chá das Seis: A Duologia The Fall é cheia de segredos e descobertas, como você conseguiu arquitetar toda esta trama?

Amanda Maia: Ai caramba! Às vezes nem eu consigo acreditar nos nós que eu consegui dar nessa história e de vez em quando entro em desespero tentando sair da minha própria areia movediça, mas o tempo todo estive focadaem meus objetivos nos dois livros; o primeiro a "queda", a "quebra", corações partidos e decepções de primeira mão. Agora chegamos à parte mais importante de toda história; o recomeço. Então, manter o foco e SEMPRE anotar tudo é o meu segredo.

Chá das Seis: Pandemônio ainda não foi concluído assim como After The Fall, e nossas amadas leitores estão ansiosas por um spoiler. Poderia nos dar uma prévia do que vem por aí?

Amanda Maia: Pandemônio, o primeiro livro que comecei escrevendo mostrando o empoderamento feminino, quando nem sempre é o mocinho a partir o coração da mocinha. Depois que Pandemônio entrou em hiatos sem data para retorno, eu realmente não voltei a planejar a história. Então, por enquanto, não tenho nada pronto para contar aos leitores. Mas eu pretendo escrevê-lo neste ano!

Chá das Seis: Fale-nos sobre seus projetos para 2017:

Amanda Maia: Tenho muitos, muitos projetos para o ano de 2017, mas no atual momento é concluir a duologia The Falle adiantar os livros da Série The Reckless.

Chá das Seis: Onde os leitores poderão encontrar seus livros?

Amanda Maia: Com o cancelamento do meu contrato com a Infinito Editorial só será possível ler meus livros no Wattpad e na Amazon.