Ciclos Eternos

15/12/2016

Resenha Por Emmily Cristina

"Qual é o limite da realidade?

Foi uma das primeiras coisas que pensei ao começar a ler Ciclos Eternos - Submundo. A escrita da Caroline é impecável e, tão importante quanto isto, é a sensação que as palavras transmitem - é o que eu mais gosto nas leituras também. Isso porque, para Sâmia, a personagem principal, algo de muito tenebroso aconteceu em seu passado e até ela tem dúvidas de que ter sido real. E assim como ela somos jogados no meio de um dilema entre o que é verdadeiro e o que é alucinação.

Dá para entender perfeitamente o que se passa na cabeça dela porque sentimos a mesma coisa ao ver um simples gato com extrema desconfiança. Como nem a Sâmia tem todas as respostas, o leitor acompanha e (desconfia rsrs) de perto das coisas que vão acontecendo sem explicação lógica. Até certo ponto, eu não era capaz de opinar se era mesmo maluquice ou efeito colateral do sobrenatural agindo através da cabeça dela.

De qualquer forma, a sensação que fica é a de estar diante de um mundo enorme e misterioso. Não sei explicar direito, mas é tipo uma névoa de dúvida sobre os seus sentidos. É claro que a Sâmia prefere negar tudo, afinal, a negação é a primeira reação quando estamos diante de absurdos. Não que eu já tenha estado. Ainda haha. Enfim. O negócio é que ela vai precisar admitir certas verdades que preferia negar, e é então que algumas coisas são explicadas e a magia é trabalhada.

Gostei muito do jeito que a Caroline trabalhou o uso da água, que serve como meio de transporte e ajuda na comunicação. Consigo até ouvir o barulho de água nas entrelinhas, e é este tipo de reação que eu espero ter com a fantasia, algo além das letras. Também gosto da forma com que os nomes soam, principalmente dos principais: Sâmia, Jahean, Leander. E por falar em Jahean, qual é o problema dele?! Aos poucos vamos entendendo alguns detalhes do passado que envolve Sâmia e ele. Uma dica: peças de xadrez vivas!

O Submundo da Caroline não carrega aquela atmosfera sombria e tenebrosa, a ideia mais comum do terror, mas como outro mundo de fantasia e peculiaridades. Gosto muito de observar a cultura que aparece, os pontos que tornam essa invenção própria e única. Pedras dos sonhos, terra de Mist, a Firegold... Uma das cenas mais emblemáticas que fiquei imaginando foi o festival da Agnes e a serpente do número de dança. Tem ainda alguns segredos nas entrelinhas, mas não fui atenta o bastante para perceber e só agora com o segundo volume, Ciclos Eternos - Superfície, fez sentido."

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