Mônica Meirelles

13/09/2017

Mônica Meirelles é forma em Letras/Literatura pela UERJ e está se especializando em Língua Portuguesa pela UFF. No entanto, entrar para a faculdade e cursar português e literatura não foi anda fácil, assim como continuar escrevendo.

Com quinze anos, quando já escrevia, Mônica perdeu o pai. Pisciana sonhadora, a autora estava no ensino médio, e não pode se dedicar ao vestibular como gostaria. Assim, precisou parar de sonhar para ajudar sua mãe e seus irmãos no comércio da família. Mas não deixou de criar. Sempre que tinha um tempo, escrevia, desenvolvendo um pouco de sua novelinha de nome "Histórias de adolescentes" que ela, um dia, publicará uma versão melhorada.

Quando completou a maioridade, a carioca trabalhou em lojas de shoppings, até que, com o incentivo de amigos da época, entrou numa faculdade pública como sempre sonhou. Não foi fácil se formar vivendo de bolsa universitária, já que precisou ficar desempregada. O curso era integral.

Mas como Deus estava já planejando tudo, deu certo. Em 2015, quando estava se despedindo da graduação, conheceu o Wattpad, onde criou, sem qualquer expectativa, "A vez de Anne". O livro acabou conquistando mais de 600 mil leituras na plataforma, dando animo a autora para voltar a escrever. Com incentivo de uma prima, sua leitora assídua, ela levou a obra para a Amazon. O livro ficou entre os mais vendidos, recebeu elogios e críticas também.

A pedido dos leitores, a obra acabou virando a série, os Louzadas. Na sequência: "A vez de Anne", "Meu quase irmão", "Meu quase irmão: o lado Bê", "Mania de você", "Meu pequeno vazio" e "Onze vezes madrinha". O primeiro volume conta a história de Anne e Daniel, no passado, aproximadamente vinte anos atrás, quando tudo começou. Os cinco últimos contam as histórias dos quatro filhos e da prima da protagonista e no presente, entre 2015 e 2017. Quase todos os livros encontram-se na Amazon. Apenas "Meu pequeno vazio" está em andamento na plataforma do Wattpad.

O Chá das Seis teve o imenso prazer de conversar com a Mônica!

Chá das Seis: Conte-nos um pouco sobre quem é Mônica Meirelles.

Mônica: Mônica Meirelles é uma carioca da clara, sonhadora e que passou dos 20 e tantos anos, mas se acha jovem demais ainda. Não é muito adulta. Na família, se enturma com as primas adolescentes e adora bater papo com elas! Mônica é pisciana, é sensível, mas, diferente do que muita gente pode imaginar, é uma pessoa forte. Enfrentou a perda do pai aos 15 anos, o que atrapalhou os sonhos de uma pisciana sonhadora. Hoje em dia está na melhor fase de sua vida como escritora, mas ainda tem muito a aprender e a realizar: quer publicar seus livros em livrarias, quer ir a Bienal conhecer seus leitores e autografar seus livros. Quer também ter seus quatro filhos, e batizá-los de Bernardo, Nicolas, Laura e Beatriz, nomes dos protagonistas de seus livros. Mas diferente dos pais da Amy Exemplar, Mônica não irá obriga-los a ser como os irmãos da família Louzada. Eles serão o que eles quiserem ser, assim como ela é.

Chá das Seis: Como conheceu o Wattpad?

Mônica: Através de uma prima, a Dayane, que me convidou para ler no aplicativo. No início, eu não entendia muito bem o que era wattpad. Achava que era um novo formato de ebooks piratas. Estava lendo um livro pirata do "Diário de Anne Frank". Mas depois que fui entender que, além daquela, tinham muitas outras, e de autores novos. Foi engaçado! E foi a partir daí que eu comecei a escrever sem qualquer pretensão "A vez de Anne".

Chá das Seis: Qual o seu autor(a) favorito e qual deles(as) você busca inspiração?

Mônica: Acho que não tenho um autor preferido em específico. Das "novas", gostei muito da escrita da Gillian Flyn, autora de "Objetos cortantes" e "Garota exemplar". Essa autora é surpreendente! Respeito e admiro o trabalho da Carina Rissi e da Kiera Cass. As duas têm uma escrita simples e muito fofa, totalmente voltada para o público feminino, e eu sou muito mulherzinha! Dos cânones, estudo muito a Clarice Lispector. É incrível a inteligência daquela mulher! E, como fonte de inspiração, na verdade, não são apenas os livros que me dão, mas a vida, as situações. Não sei explicar. É uma coisa que acontece, que presencio no dia a dia, até que chega uma hora que eu paro e penso "Caramba! Vou escrever sobre aquilo!". Acho que é isso.

Chá das Seis: No que você se inspira na hora de escrever?

Mônica: Músicas. Com certeza, músicas! Quando quero começar um livro, já penso logo na música como roteiro, uma música como trailer, como se o livro fosse um filme. Ajuda muito.

Chá das Seis: Tem alguma mania quando está escrevendo?

Mônica: Preciso estar de barriga cheia de banho tomando. Eu sei, é estranho. Preciso também de uma garrafa d'água ao meu lado, bem geladinha, porque aqui no Rio é praticamente verão o ano inteiro. E, claro, silêncio, sem ninguém por perto. No máximo, meus fones de ouvidos e uma música que me ajude no capítulo.

Chá das Seis: Quando começou a escrever?

Mônica: Desde criança escrevo. Acho que uns doze anos eu tinha quando cismei de começar algo. Mas, como não tinha leitor e era mal informada sobre as comunidades do Orkut, não dava muita atenção para isso. Vez ou outra mexia numa determinada história, que mais parecia um enredo de novela. E ela está lá, parada. Fiz outra história também, "Aquele amigo", que foi escrita à lápis em um caderno de uma matéria e que hoje está quase toda apagada.

Chá das Seis: Quando decidiu que queria compartilhar suas histórias?

Mônica: Então, quando conheci o wattpad, pensei em publicar "Aquele amigo" e terminar minha "novelinha", mas acabei criando "A vez de Anne" e, a partir desse livro, a pedido dos leitores, acabou surgindo outras histórias, que são as histórias dos filhos dos protagonistas. Mas penso em melhorar "Aquele amigo" e terminar aquela novelinha que ficou para trás...

Chá das Seis: Dos seus livros, tem algum preferido?

Mônica: Olha, essa é uma pergunta muito difícil. Amo todos eles. Já respondi que é "Meu pequeno vazio", outras vezes que é "Meu quase irmão", mas acho que "A vez de Anne" carrega um peso muito grande. Foi praticamente o primeiro livro escrito por mim. Ele foi um tiro no escuro, um grande risco, porque eu nem tinha roteiro, ia escrevendo conforme eu "sentia" a história, sabe? E deu tão certo. Tantas pessoas leram, gostaram e recomendaram! E eu nem esperava! Postava no wattpad sem qualquer expectativa. Só estava me divertido. Sem contar que, além dos leitores, a história ganhou um prêmio, que foi o The Wattys 2015, na categoria "Livros mais viciantes", foi bem recebido na Amazon, em blogs também... Sem contar que é a história mais sensível que eu escrevi. Então, acho que "A vez de Anne" é meu preferido!

Chá das Seis: E dos personagens, tem algum que mais se identifica?

Mônica: Com certeza! A Laura, a nossa Ursinha. Costumo dizer que a Laura sou eu, só que personagem. Hahahaha Somos bastante parecidas mesmo. Na idade, na aparência (exceto porque ela é alta e tem os olhos acinzentados), mas principalmente por causa da personalidade. Sou pisciana como a Laura, então sou sensível e sonhadora como ela. Também sou um pouco imatura, inexperiente e com pensamentos engraçados sobre as coisas. Sem contar que estudei Literatura como ela, amo os livros como ela, odeio o calor como ela! Ah, e também amo o Bernardo como ela!

Chá das Seis: Quais são seus planos para o futuro?

Mônica: Quando penso em futuro, penso no relançamento dos meus livros na Amazon ("Meu quase irmão", "Meu quase irmão: o lado Bê" e "Mania de você"). Mas penso também nas comédias românticas que estou para soltar. Adorei escrever o gênero e quero em breve mostrar para os leitores que "Nós não estamos loucas".

Chá das Seis: Como se sente diante do retorno positivo de seus/suas leitores (as) e como lida com as críticas?

Mônica: O retorno positivo é maravilhoso. Me sinto fazendo a coisa certa, sabe? Com vontade de continuar. É muito bom abrir o facebook e ler uma mensagem de carinho, de alguém dizendo como foi importante ler aquela história. Também é muito gostoso ver pessoas indicando e defendendo os personagens. Enfim, se pudesse, só teria feedbacks positivos! Mas as críticas, apesar de magoar e desanimar também, são muito importantes, porque, a partir delas, eu melhoro minha escrita, meus personagens, descrições e enredo. Se eu ficar só no elogio, vou achar que está tudo perfeito, e não quero pensar assim porque sei que não está. Sempre temos algo a melhorar e devemos reconhecer isso. Caso contrário, nunca evoluiremos. E ninguém nasce pronto.

Chá das Seis: Qual o seu maior sonho como escritora?

Mônica: Acho que, como toda escritora, meu sonho é estar numa bienal com um livro meu publicado e conhecer meus leitores pessoalmente. Sonho muito em ver toda a família Louzada em livrarias. Sei que eles merecem e que as pessoas vão gostar. É tudo que eu mais quero!

Chá das Seis: Um conselho para quem está pensando em começar a escrever no wattpad.

Mônica: O conselho que dou é: dar aquilo que você gostaria de receber. Você gosta de ser bem tratado? Então, trate bem as pessoas. É importante também não sair por aí jogando links nos perfis das pessoas, nem nos livros dos autores "mais famosos". Acredite: quase ninguém lê quando a pessoa faz isso. De certa forma, demonstra mal educação e certo desespero. Você precisa ter seu público-alvo. Você vai procurar o leitor certo. Vai chegar nele e perguntar se tem interesse em conhecer o seu livro. Também aconselho ter paciência porque ter leitores às vezes demora. Também aconselho a conhecer a plataforma, como usar, o que é o que; conhecer os autores, blogueiros, embaixadores. E se quiserem um amigo para conversar ou tirar dúvidas, podem conversar comigo. No que eu puder ajudar, eu ajudo. Faz bem para a alma.