Ouro, Fogo e Megabytes

16/01/2017

Resenha por Emilly Cristina 

Não me lembro mais o que estava fazendo - lá no Skoob, é claro - quando vi a capa de Ouro, Fogo & Megabytes. Que coisa interessante, eu pensei, essa cobra de fogo só pode ser um boitatá, e já fiquei logo querendo ler. Ultimamente temos um jorro de literatura que se utiliza de diversas mitologia (grega, romana, egípcia, indiana... quais mais? rsrs) e por mais que sejam interessantes, estão de certo modo distantes da nossa cultura. Acho que sou um pouco nacionalista, do tipo que acredita no potencial do país e se lamenta com o enorme desperdício de recurso, mas isso não entra no caso. Importa é que Ouro, Fogo & Megabytes se encaixa perfeitamente na tarefa de oferecer uma história de fantasia tipicamente brasileira.

Passemos para a história em si. A gente demora um pouco para acostumar com a linguagem nerd/geek, mas isso nem chega a ser um problema. O livro de Felipe Castilho oferece um ótimo panorama dos tipos brasileiro, do nosso folclore, até da nossa fala! Estas expressões fazem a diferença no sentido de que nos aproxima das coisas que já conhecemos. E também, que história divertida! Humor e ironia, além dos despropósitos próprios das histórias de fantasia, deixam você rindo feito um disco quebrado.

Anderson Coelho vai parar no meio de uma tal Organização, que é singular em dois sentidos: primeiro, pelos seus habitantes e, segundo, pela sua estratégia de ação, em que basta ter coragem para conversar com estranhos na rua, e é bem provável que dê certo. Sabe, um ótimo meio de conscientização para aqueles desavisados que ficam jogando lixo na rua, vai Organização! Rsrs Em relação aos habitantes, só vou dizer que depois dessa história tenho vontade de pesquisar ainda mais coisas sobre Cucas, Boto (ah, Beto...), Saci, Capelobos, Caiporas e, por que não?, Mãe D'Ouro?

Desta forma, o livro trabalha com muitas jogadas interessantes, e aí percebi como é boa a junção de assuntos ambientais e folclóricos, já que as duas coisas muito me interessam. Na parte ambiental este trecho representa o que acontece hoje em dia:

"Partindo do princípio de que foi o homem quem poluiu a atmosfera, jogou carbono nos céus e abriu um rombo colossal na camada de ozônio, não existe mais essa de desastre natural" (p. 155)

Pois é. Espero que a leitura desperte esta consciência, cada vez mais firme em cada um de nós, para evitar, quem sabe, uma tragédia ambiental nacional. Acho que estou variando outra vez. Voltando ao tema... são envolventes, a narração tem um ritmo muito bom (e só percebo que li muito quando meus olhos começam a doer). À medida que fui lendo, a história ficava cada vez mais empolgante.

O título merece um parágrafo a parte rsrs. O ouro, o fogo e os megabytes fazem a história se mover e acontecer, e assim reúne os elementos principais de uma forma exótica que, para mim, lenta como sou, só foi fazer sentido no caminho final da trama - okay, talvez porque eu não tivesse parado para entender antes. Então pensei que este recurso se parece com o que C. S. Lewis utilizou em "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa" (já mencionei que sou fã de Nárnia, e que muito me alegrei ao ver uma referência a minha saga favorita n'O Legado Folclórico de Felipe Castilho?), o que, pessoalmente, acho muito interessante.

Há uma empresa ambiciosa, um vilão mais ambicioso ainda e um traidor. Mantive minha posta no danado do traidor desde o início, mas ele demorou a ser revelado. E eu estava certa! rsrs As revelações finais me deixaram ansiosa para ler o segundo volume, mas acho melhor me segurar e guardar a diversão para mais tarde.

Para finalizar, fica uma frase que se encaixa perfeitamente na condição humana:

"Talvez a natureza pudesse ser definida como uma série de coisas boas com enorme potencial para realizar coisas ruins" (p. 173)

Então é isso. Organize-se. Leia e aproveite. E vamos usar nosso potencial para coisas boas.

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