Raissa Tavares

13/09/2017

Raissa Carolina Tavares Jacobucci, ou apenas Ray Tavares, tem 23 anos, é formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP e escreve desde os 13 anos de idade. Escreveu Gossip Boys, Hacker, Bola na Rede e muitas outras histórias. Ama astrologia, detesta conservadorismo e se alimentaria de miojo todos os dias se pudesse. Ariana com ascendência em Gêmeos, é uma das autoras mais seguidas da plataforma Wattpad Brasil e gostaria de beijar todos os seus leitores na boca.

Raissa, a autora do comentado Os 12 Signos de Valentina, foi uma fofa e deu uma entrevista incrível para o Chá das Seis. 

Chá das Seis: Quem é a Raíssa?

Raissa: Raissa é uma jovem adulta de 23 anos que adora astrologia, política e escrever. Formada em Gestão de Políticas Públicas, ela tem os seus momentos de achar que é a última bolacha do pacote, como também se sente a bosta do cavalo do bandido às vezes. Trabalha bastante e, quando chega em casa, continua trabalhando, porque ser escritor em um país que não incentiva a escrita e a leitura significa ter dois empregos, um para sobreviver, o outro que ama de verdade. Adora filmes com bons roteiros, livros com personagens complexos e séries leves e profundas ao mesmo tempo. Ariana com ascendência em Gêmeos, estava escrito nas estrelas que seria escritora - ela só segue o plano divido.

Chá das Seis: Quando você descobriu o gosto pela escrita?

Raissa: eu sempre gostei muito de ler; lembro de passar horas e mais horas no meu quarto lendo gibis da Turma da Mônica em uma época em que eu deveria estar sendo uma criança encapetada. Acho que o gosto pela escrita foi uma evolução natural da minha admiração pela leitura. Eu escrevi contos e até uma peça de teatro durante o Ensino Fundamental, mas foi só aos 13 anos que eu conheci o maravilhoso mundo das fanfics e comecei a escrever a minha própria história - foi durante um momento bem turbulento da minha vida, sentindo as dores da primeira decepção amorosa e passando pela pré-adolescência como uma garota que não se encaixava nos padrões de beleza, e a escrita foi uma fuga da realidade e uma maneira de expressar os meus sentimentos. Eventualmente, eu cresci e deixei de escrever fanfics para me focar em histórias originais, mas sinto um carinho muito especial por esse "movimento" e apoio 100% qualquer pessoa que use a escrita para se libertar dos próprios fantasmas.

Chá das Seis: Como escritora você mantém uma rotina ou algum hábito que a ajuda no processo criativo?

Raissa: nunca fui muito fã de rotinas e acho que impor uma à minha paixão deixaria as coisas um pouco... sem sentido. Já tenho uma rotina muito pesada de trabalho no dia-a-dia e não queria infectar o que eu mais amo fazer com mais regras e procedimentos. As pessoas falam que eu escrevo muito rápido e que eu devo escrever o tempo todo, mas a real é que eu passo dias e até semanas sem escrever, mas, quando bate a inspiração, eu passo horas e mais horas produzindo páginas e mais página! Mas eu procuro sempre ler bastante, assistir filmes e séries, ou seja, consumir qualquer tipo de entretenimento com uma narrativa, porque acabo aprendendo muito e melhorando a maneira como escrevo e estruturo as minhas histórias.

Chá das Seis: Os 12 Signos de Valentina foi um dos ganhadores do prêmio The Wattys 2016. Conte-nos sua experiência em ver uma de suas obras entre os grandes vencedores e como isso repercutiu em sua vida.

Raissa: cara, foi sensacional! Foi o segundo The Wattys que eu participei, sendo que no primeiro não ganhei nenhum prêmio, então eu estava um pouco... cética. Mas "Os 12 Signos de Valentina" já estava como destaque na categoria romance e indo muito bem, então não posso negar que fiquei bastante ansiosa quando começamos a receber e-mails que receberíamos a resposta do prêmio em poucos dias. No dia que saiu, as minhas leitoras postaram o print no grupo do Facebook e eu estava no trabalho, então foi bem difícil esconder a minha felicidade! Confesso que fui até o banheiro para fazer a minha dancinha da vitória, hahahaha. O prêmio me trouxe mais leitores e mais motivação para continuar escrevendo - são agora 11 anos de "estrada" e eu já tomei alguns tombos no meio do caminho, mas saber que as pessoas gostam do que eu escrevo me dá inspiração para seguir batalhando por esse sonho.

Chá das Seis: Os 12 Signos de Valentina foi inspirado em algum fato do cotidiano ou em alguma pessoa em especial?

Raissa: eu recebo essa pergunta o tempo todo e me custa frustrar as expectativas das leitoras, mas não, não foi inspirado em nada que eu tenha vivido! Quem me dera ter passado pela montanha-russa de emoções que a Isadora passou, mas a minha vida costuma ser mais pacata do que isso. Confesso que alguns dos signos que apareceram foram sim baseados em homens reais, mas apenas algumas frases, características e acontecimentos. Se eu fosse colocar em porcentagem, 95% da história é inventada e 5% baseada em fatos reais.

Chá das Seis: O que a Raíssa tem em comum com a Valentina/Isadora?

Raissa: com a Valentina? Quase nada! Com a Isadora? Muita coisa! A Isadora acabou se utilizando da persona Valentina para ser mais confiante e arriscar mais, mas a personagem Isadora tem muitas dúvidas e inseguranças e eu me identifico 100% com isso. Acho que de todas as minhas personagens, Isadora é a que mais tem a ver comigo, principalmente nas ideologias e no senso de humor. Ela gostaria de ser alguém que ainda não é, mas trabalha todos os dias para chegar lá, e é exatamente como eu me sinto.

Chá das Seis: Os 12 Signos de Valentina foi um grande sucesso na internet. Você acredita que os leitores se identificaram com a trama?

Raissa: acho que foi uma mistura de identificação com desejo. Perdi a conta de quantas meninas vieram me falar que queriam ser mais como a Valentina, que gostariam de tentar o experimento dos signos, que queriam tentar ser mais seguras de si e confiantes. Acho que, no final do dia, a Isadora/Valentina ajudou muitas mulheres a entender que a gente precisa correr atrás daquilo que nos faz bem e parar de basear a nossa felicidade em outra pessoa - quando a gente aprende a nos amar, o outro vai nos amar de uma maneira mais saudável e bonita. Além disso, a Isa é muito gente como a gente, né? Acho que isso foi o que mais atraiu as leitoras a se aventurarem na história, porque elas sentiram uma identificação com a personagem por ela ser tão real e passar por medos, dúvidas e inseguranças tão parecidas com as nossas.

Chá das Seis: Os 12 Signos de Valentina gira em torno do desejo de Valentina/Isadora encontrar seu par ideal e para isso ela decide sair com garotos de diferentes signos. Que tipo de mensagem você quis passar para os leitores ao criar Andrei, que foi abandonado pela mãe quando bebê, e que por esta razão desconhece seu verdadeiro signo?

Raissa: para ser 100% honesta, a criação do Andrei tem dois objetivos:

Primeiro: deixar claro que a astrologia não é tudo - aliás, a gente não pode basear 100% das nossas escolhas em algum tipo de fé, religião ou qualquer coisa do tipo. Sim, astrologia é divertido, mas deixar de ficar com alguém porque o mapa astral não combina já é um pouco demais! Eu criei o Andrei para que as pessoas pudessem perceber como ficamos meio estúpidos quando levamos alguma crença muito a sério. Quando a Isadora admite que não quer ficar com o Andrei por não saber o signo dele e decide seguir com o experimento, eu recebi uma enxurrada de xingamentos e críticas no meu inbox, "como ela pode deixar o amor da vida dela de lado por causa de um signo"? ou "Isadora, você está sendo muito burra!", e acho que atingi o meu objetivo - é muito fácil a gente acabar presa em um ideal de pessoa e ignorar bons conselhos, mas quando vemos outra fazendo papel de trouxa e colocando coisas desimportantes acima do que realmente importa, acho que acabamos abrindo um pouco os nossos olhos.

Segundo: eu quis criar um "anti-homem dos sonhos", aquele que acabamos lendo e consumindo na grande maioria das histórias disponíveis hoje em dia. O cara fechado, misterioso, bad boy, com um passado sombrio, que trata a mulher mal mas tem um "motivo" para o mesmo. Não acho esse tipo de homem atraente, não concordo em romantizar uma pessoa que trata a outra como lixo - sim, beleza, todos nós temos os nossos problemas e às vezes precisamos ficar do lado de quem amamos enquanto essa pessoa passa por uma fase ruim, mas acho muito prejudicial que as histórias passem a ideia de que nós, como mulheres, precisamos aguentar qualquer merda "por amor" e que estamos no mundo para salvar a alma de um homem atormentado - quem tem que salvar a alma de um homem atormentado é um psicólogo! Muitas vezes eu me peguei lendo histórias populares com esse modelo de "herói" ou "mocinho" e pensando "cara, esse homem precisa se tratar! Não dá para ter um relacionamento saudável com ele enquanto ele estiver desse jeito". Então eu criei o Andrei e quis mostrar que garotos comuns podem ser atraentes, que ser tratada bem é muito sexy, que um homem pode ter problemas com o passado, mas que não precisa descontar isso na sua parceira. Andrei não é um modelo da Calvin Klein com entradas no abdômen dono de uma empresa bilionária (que ninguém sabe o que faz) e todo misterioso, Andrei não precisa ser salvo pela mulher amada e não controla a vida da Isadora. Andrei é apenas um estudante de 25 anos que usa óculos, é um pouco esquisito, adora Harry Potter, ainda está estagiando e é um livro aberto! Ele tem ambições, sonhos e inseguranças, mas, acima de tudo isso, ele se apaixonou pela versão mais atrapalhada da Isadora e fez de tudo para que ela soubesse que seria amada, independentemente da bagagem emocional dos dois.

Chá das Seis: Cartas aos Astros é um spin-off de Os 12 Signos de Valentina e já é um grande sucesso, no Wattpad, mesmo não estando finalizado. O que os leitores poderão esperar da história? Nossas leitoras adorarão receber um spoiler.

Raissa: muito obrigada por dizer que Carta aos Astros é um grande sucesso! <3 Para falar a verdade, eu acho que estou em um momento incrível da minha carreira literária em que as pessoas não tem a menor ideia do que eu vou fazer e isso é maravilhoso! Eu já escrevi finais felizes e escrevi finais nem tão felizes assim, e honestamente? Eu gosto de ser imprevisível. Acho que Carta aos Astros vai deixar as pessoas de queixo bem aberto e eu vou tentar inverter um pouco dos nossos conceitos de "felizes para sempre" e o que a sociedade espera de nós como jovens adultos.

Chá das Seis: Das obras que escreveu, qual foi a sua favorita e por que?

Raissa: "Os 12 Signos de Valentina", com certeza. Foi um prazer imenso escrever essa história, ainda mais impulsionada pelo carinho e incrível feedback que eu recebi! Foi legal colocar no papel uma personagem tão parecida comigo - foi quase como escrever um diário de uma vida que eu não tenho.

Chá das Seis: De onde surgem as ideias para a composição dos personagens e escolha dos avatares para dar rosto à eles?

Raissa: eu tenho uma ficha que sempre preencho quando vou criar um personagem, mas eu não levo ela muito a sério - os meus personagens vão criando vida ao longo da história e, se no começo os imaginava de alguma maneira específica, no final aquilo pode ser completamente diferente e isso é lindo! Sobre os avatares, ou o dream cast, eu sou terrível com isso, porque, geralmente, os personagens na minha cabeça são muito... reais. Não são estrelas de Hollywood nem cantores famosos, eles têm má postura, espinhas, usam óculos, estão acima do peso, têm seios pequenos, barriga, estria, celulite, o tipo de coisa que essas grandes estrelas não têm (ou pelo menos somos levados a imaginar que não), então eu acabo meio que jogando essa responsabilidade para os meus leitores. Quem é o carinha do momento que parece um pouco com o meu personagem? Quem é a cantora pop que todo mundo está falando e que tem características parecidas? Eu fico bastante antenada no que os meus leitores e leitoras estão consumindo porque me ajuda nessa fase de criação de personagens; por mais que na minha cabeça eles nunca vão ser aquilo que eu publico nas imagens, dá para ter uma ideia.

Chá das Seis: Quais são seus projetos para o ano de 2017?

Raissa: quero publicar "Os 12 Signos de Valentina" com uma editora séria, quero realizar o sonho de ver a minha história em uma livraria. Esse é o plano principal. E, claro, continuar escrevendo online como tenho feito nos últimos 11 anos - isso vocês podem ter certeza que não vai parar.

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